Cadeira para crianças deficientes que permite o desenvolvimento cognitivo é patenteada no Brasil

Produto inédito surgiu da necessidade pessoal de pais que viram a filha de oito meses ficar paraplégica

Segundo dados recentes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 60% das empresas fecham as portas no segundo ano de existência. Dentre os principais motivos está o desconhecimento de processos administrativos. E quando o negócio é voltado a produtos é necessário o registro da patente. Se o empreendedor não tiver a orientação correta para obter a patente, pode esbarrar em tantas dificuldades de inserir seu produto no mercado que pode levá-lo ao fechamento da empresa.

Cadeira para crianças deficientes

Inicialmente, o empresário Mario Fernandez Alvitti, CEO da Fly Children, não tinha ideia da necessidade de registrar seu produto. Foi quando recebeu o alerta de um amigo e chegou até a Martins & Fernandes Marcas e Patentes.

O empresário do ramo imobiliário e sua esposa, que é fisioterapeuta, viram suas vidas mudarem do dia para a noite quando a filha, Ana, de oito meses, foi diagnosticada com uma grave lesão na medula, o que a deixou paraplégica. Quando Ana entrou na idade em que estaria andando e brincando com outras crianças, Mario não se conformou com a vida que sua filha teria e pensou em algo que pudesse lhe dar melhor qualidade de vida.

Ana, que passou a viver em uma cadeira de rodas, tinha o movimento dos braços, então, Mario pensou que ela pudesse utilizar esses movimentos para melhorar seu desenvolvimento cognitivo e neuropsicomotor, mas, depois de pesquisar, viu que no Brasil não havia nenhum produto que pudesse lhe atender.

Começou a estudar, pesquisar e entrou em contato com fabricantes e entidades de apoio à criança com deficiência. Passou a dedicar sua vida para o desenvolvimento do projeto de uma cadeira infantil especialmente desenvolvida para crianças de um a quatro anos com mobilidade reduzida.

“Se não fosse essa cadeira, minha filha, que está com três anos, só poderia se rastejar ou ficar o dia todo em uma cadeira de rodas. Agora, com a cadeira que fica na altura do chão e permite amplitude de movimentos com segurança, ela consegue se locomover de forma mecânica, com os movimentos dos braços e mãos, tem autonomia para pegar seus brinquedos, jogar uma bola, brincar de frente com a gente e consegue acompanhar as crianças da escolinha que frequenta.”, revela Mario Alvitti.

Silvia Martins, Diretora Geral da Martins & Fernandes conta que o registro da patente da cadeira infantil da Fly Children para crianças com mobilidade reduzida tem uma importância maior do que apenas assegurar sua marca e imagem.

“Eu acompanhei todo o processo de concepção do produto e entendi que era necessário não somente proteger a marca, mas, proteger o produto, o que significa, garantir a segurança das crianças. Ter cópias malfeitas da cadeira por aí, em desconformidade com o projeto original, é colocar a vida das crianças em risco”, explica a empresária.

E para assegurar a proteção do produto e das crianças, foram encaminhados dois pedidos de registro de patente. O primeiro referente ao modelo de utilidade, e o segundo de desenho industrial. O layout da cadeira propicia o conforto, a autonomia e a segurança da criança em seu uso.

Patentes requeridas

As duas patentes já foram requeridas pela Martins & Fernandes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, que é único órgão governamental no País responsável pelo registro de marcas e patentes.

Com isso, foi possível formalizar a empresa Fly Children que comercializa as cadeiras por meio de seu e-commerce. Porém, o pai da pequena Ana explica que o objetivo nunca foi gerar negócios com o produto, e sim, atender as necessidades de sua filha, e, consequentemente, de outras crianças.

“A venda das cadeiras é necessária para que novas cadeiras sejam produzidas. O investimento é muito alto. Nós fazemos muitas doações, mas algumas precisam ser vendidas para que a produção seja autossustentável”, relata Mario.

Silvia Martins conta que quando o projeto chegou até ela foi impossível não se comover com a história. “Nós registramos marcas e patentes todos os dias, mas nunca um registro foi tão importante para nós como a cadeira da Fly Children. Já sabíamos da importância do registro de marcas e patentes porque respiramos isso no dia a dia, mas, poder registrar um produto como este realmente nos trouxe uma alegria imensa, e foi por isso que decidimos levar até a Feira do Empreendedor Sebrae-SP 2017 esse case de sucesso”, conta Silvia Martins.

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