Vacina contra dengue ganha patente nos Estados Unidos

Produção poderá começar depois da conclusão dos testes de eficácia

O Instituto Butantan conseguiu patentear nos Estados Unidos o processo de produção da vacina contra a dengue. Os testes envolvem Rio Preto, a única cidade interiorana no estudo, e mais 13 centros de pesquisa clínica. Por aqui, um total de 1.350 pacientes serão voluntários nos testes em humanos, que já estão acontecendo. A fase atual é a de recrutamento de crianças de 2 a 6 anos.

A patente foi conferida pelo Escritório Americano de Patentes e Marcas (USPTO, na sigla em inglês). Segundo a Agência Fapesp, a conquista confere visibilidade internacional ao projeto e pode significar uma inversão da lógica tradicional de importar tecnologia de países desenvolvidos. O Butantan disse que hoje há uma corrida mundial para desenvolver uma vacina segura e eficaz. “O Instituto Butantan, com a patente nos EUA, deu um passo fundamental para se estabelecer na vanguarda do processo.”

De acordo com Maurício Lacerda Nogueira, coordenador do estudo em Rio Preto, se nos próximos seis meses as crianças de dois a seis anos não forem recrutadas, caberá a outros centros participantes do estudo reunirem esse público.

Todos os pacientes serão acompanhados por cinco anos a partir da data da vacinação. São 450 crianças, 450 adolescentes e 450 adultos. “As análises de segurança estão ótimas até o momento. As de eficácia dependem de ter casos de dengue no país. Enquanto isto segue tudo ótimo, sem efeitos colaterais, vacina segura”, afirmou Nogueira.

No total, o projeto para a vacina contra dengue teve investimento de R$ 224 milhões oriundos da Fapesp, do BNDES, da Fundação Butantan e do Ministério da Saúde.

“Dados preliminares indicam que a vacina do Butantan é segura para pessoas de 2 a 59 anos, inclusive as que nunca tiveram a doença anteriormente, induzindo o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro sorotipos”, informou a Fapesp.

As doses da vacina poderão ser produzidas a partir de um ou dois anos, depois de serem concluídos os testes de eficácia, que só ficarão prontos após cinco anos que o último voluntário tiver sido imunizado. Após essa etapa, poderá ser feito o pedido de registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Não há casos confirmados de dengue entre a população de Rio Preto participando do estudo. Os testes de eficácia dependem de um surto maior da doença – neste ano, até maio, foram confirmados 246 casos, número 97,4% menor que os 9,7 mil registrados em 2016, ano em que começou o estudo da vacina contra a doença.

Apenas uma dose da imunização, que protege contra os quatro subtipos da doença, seria suficiente para proteger a pessoa por toda a vida.

Dois terços dos 1.350 voluntários rio-pretenses tomarão a vacina e o restante receberá o placebo. A equipe local não sabe o que foi administrado em cada paciente pois isso é avaliado por um comitê externo. Os potenciais efeitos colaterais da dose também são analisados por outro grupo.

A preocupação da Secretaria de Saúde de Rio Preto no momento é com o subtipo três da dengue, que não circula há anos no município. Muitos habitantes são vulneráveis a esse tipo de vírus, que poderia provocar uma epidemia. As variedades um e dois foram as que provocaram os últimos surtos, portanto grande parte da população está imune.

A vacina não vai proteger contra zika e chikungunya, as outras duas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti que também deixam as autoridades receosas, já que grande parte da população também é suscetível a elas.

Fonte: Diário da Região- São José do Rio Preto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *