Hotel vê reservas decolarem após tirar marca Trump

O momento atual não é dos mais favoráveis para Donald Trump. Envolvido desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos, em 2017, em denúncias de envolvimento com a manipulação russa nas eleições e com o pagamento a mulheres para abafar escândalos sexuais, o político e empresário vê até mesmo seus negócios serem afetados pelos problemas relacionados à sua imagem.

Prova disso é o que aconteceu recentemente com um dos muitos hotéis que levava seu sobrenome. O Trump SoHo Hotel, em Nova York, vinha tendo desempenho vacilante em vendas. Seus administradores decidiram, ao final de 2017 apostar uma renovação na sua marca, desassociando-a do nome do presidente americano, que por muito tempo fez seu nome no meio hoteleiro.

A hospedagem trocou, então, o nome, se tornando The Dominick. O resultado? Um crescimento de 20% na receita por quarto disponível (indicador chamado de revpar no meio hoteleiro) no ano passado, segundo reporta a Bloomberg.

No ramo hoteleiro, a marca do hotel não está, em muitos casos, ligada à própria administração. Operadores de hotéis independentes frequentemente fazem acordos de licenciamento com grandes redes para atrair mais público com marcas famosas, mas continuam fazendo a administração do negócio. No caso do The Dominick, assim como no do hotel no Rio de Janeiro, que também levava o nome de Trump e hoje está envolto em investigações de corrupção, a empresa do presidente apenas emprestava seu nome, sem administrar diretamente o empreendimento.

Enquanto a indústria hoteleira de Nova York viu a tarifa média dos quartos subir apenas 2% em 2018, o The Dominick aumentou a sua em US$ 51. Foram, também, 7 mil diárias a mais registradas no ano, em comparação com 2017.

Não houve nenhuma reforma significativa, aumento de oferta ou mudança na estrutura do hotel durante o ano passado, o que indica que era mesmo o nome que estava afastando clientes do empreendimento. Pessoas entrevistadas pela Bloomberg também apostam nessa hipótese.

O agente de viagens Jack Ezon, fundador da Embark, diz que “em sete entre oito vezes” em que ele oferecia o Trump SoHo a um cliente, as pessoas diziam: “eu não vou ficar em um Trump Hotel”. Um desses clientes, afirma, foi o astro da NBA Lebron James, que já se manifestou publicamente discordando das políticas de Trump em ocasiões passadas.

Ezon garante também que não há nenhum problema com o hotel em si – um empreendimento luxuoso na badalada região de SoHo, em Lower Manhattan. “É o hotel perfeito para quem está procurando por algo espaçoso para ficar muito confortável uma semana inteira”, comentou à Bloomberg.

E, quando o produto não vai bem apesar de estar bem construído, o problema geralmente está no marketing, diz Gesina Gudehus-Wittern, diretora da consultoria de branding IpsosStrategy3. “Muitas vezes, apenas mudar o nome não ajuda em nada a melhorar o desempenho de um negócio. Mas se o desafio está na marca, se ela não cumpre mais o propósito que costumava cumprir, a solução pode ser simples assim”, diz.

Segundo ela, esse parece ser o caso do agora chamado The Dominick, que, sem o nome de Trump, teria tirado uma carga de estresse que vinha associada à própria reserva do quarto. “Não importa seu posicionamento político, uma coisa de que praticamente todo mundo quer tirar férias de vez em quando é a política. E, se você está viajando a negócios e vai se encontrar com um cliente, também não vai querer a política associada ao encontro.”

Fonte: Época Negócios

 

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